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Abertura dos mercados: Pessimismo no Brexit e dados fracos da China atiram bolsas para o vermelho.
14-10-2019 09:26

Mercados em númerosPSI-20 PSI-20 cede 0,77% para 4.965,34 pontos
Stoxx 600 desvaloriza 0,69% para 4.965,34 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 5,5 pontos base para 0,14%
Euro desvaloriza 0,23% para 1,1017 dólares
Petróleo quebra 1,04% para os 59,88 dólares o barril em Londres 
 
Bolsas corrigem após notícias negativas na China e Brexit 
As renovadas incertezas sobre o Brexit e os dados económicos fracos que foram divulgados na China levam as bolsas europeias a corrigir da maior valorização diária desde janeiro que alcançaram na sexta-feira.
 
O Stoxx600 cede 0,69% para 4.965,34 pontos, com o otimismo na frente comercial entre os Estados Unidos e a China (atingiram um acordo comercial parcial na sexta-feira) a ser anulado por outros dois fatores que têm pesado nos mercados este ano: um cenário de Brexit sem acordo a 31 de outubro e uma recessão da economia global.  

 
As intensas conversações levadas a cabo durante o fim de semana entre o Reino Unido e a União Europeia não geraram progressos e esta manhã a China revelou que as exportações desceram mais do que esperado, sinalizando que o impacto da guerra comercial na segunda maior economia do mundo está a ser mais forte do que o esperado. 
 
São precisamente as cotadas mais expostas ao Brexit e ao mercado chinês que pressionam os índices europeus. O banco britânico LLoyds desvaloriza 3,86% e a fabricante de aço Arcelor Mittal afunda 5,47%.
 
As farmacêuticas  Roche e Novartis desvalorizam mais de 1% devido a notícias de que o os Estados Unidos estão a equacionar aplicar tarifas a medicamentos de empresas suíças.
 
Em Lisboa o PSI-20 cede 0,77% para 4.965,34 pontos, com a maioria das cotadas em terreno negativo.
 
Libra desvaloriza com acordo no Brexit mais longe 
A libra desvaloriza 0,7% para 1,2579 dólares devido aos sinais menos positivos deste fim de semana sobre a possibilidade de acontecer um Brexit ordenado a 31 de outubro.
 
No domingo, Michel Barnier, o negociador europeu do Brexit, avisou os diplomatas dos restantes 27 Estados-membros da União Europeia que as negociações com o governo de Boris Johnson foram "difíceis" e que as propostas apresentadas por Londres ficam muito aquém do que é necessário para um acordo. "Ainda há muito trabalho a fazer", refere um comunicado oficial da Comissão Europeia.
 
As duas partes vão agora acelerar as negociações para tentar chegar a um entendimento até à próxima quinta-feira, dia em que se dá início à cimeira europeia. Um acordo entre as partes teria de ser aprovado pelos líderes europeus nesse encontro e depois ratificado pelo parlamento britânico no dia 19 de outubro.
 
Apesar da queda deste arranque de semana, a libra está também a corrigir parte dos ganhos alcançados nas duas últimas sessões. Há já uma década que a moeda britânica não tinha dois dias consecutivos com ganhos tão expressivos face à nota verde como os que viveu nas duas últimas sessões da semana. Os ganhos foram próximos de 2% em cada uma das sessões e a valorização semanal de quase 3% foi a maior desde setembro de 2017. Este desempenho ficou a dever-se a um maior otimismo em torno de um acordo de saída entre Bruxelas e Londres que permita viabilizar o "divórcio" até 31 de outubro.
 
No câmbio do euro face ao dólar a moeda norte-americana ganha vantagem, recuperando assim parte do terreno perdido nas últimas sessões. O euro desvaloriza 0,23% para 1,1017 dólares.
 
Juros de Portugal cada vez mais baixos do que em Espanha
Com os mercados acionistas e outros ativos a perder valor, os investidores voltam a refugiar-se na dívida soberana. As obrigações portuguesas beneficiam com este movimento, estando as yields cada vez mais distantes das espanholas.
 
O juro das obrigações do Tesouro a 10 anos desce 5,5 pontos base para 0,14%, enquanto na dívida espanhola com o mesmo prazo a queda é de 4,6 pontos base para 0,184%. O "spread" é assim superior a 4 pontos base, consolidando-se assim a perspetiva dos investidores de que nesta altura é menos arriscado emprestar dinheiro a Espanha do que a Portugal.      
 
Na dívida alemã a yield das bunds a 10 anos cede 3,3 pontos base para -0,48%. 

Petróleo inverte após maior subida num mês
O barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, está a quebrar 1,04% para os 59,88 dólares. O "ouro negro" mostra a primeira quebra em quatro sessões, numa altura em que os investidores se mostram céticos em relação ao futuro das negociações comerciais entre China e Estados Unidos, que deveriam culminar num acordo mais alargado até ao final do ano – depois de, na passada sexta-feira, ter sido atingido o entendimento parcial.
 
Ouro volta à "ribalta"
O metal amarelo esteve a perder nas últimas duas sessões, "abafado" pelo otimismo quanto às negociações comerciais entre os Estados Unidos e China mas também em relação ao acordo para o Brexit. Hoje, com os receios exacerbados em relação ao "divórcio" do Reino Unido com a União Europeia e com os números desanimadores da balança comercial chinesa, este ativo-refúgio volta ao verde, embora com ganhos tímidos. O ouro valoriza 0,05% para os 1.489,73 dólares por onça.

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