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Investimento em compra de imóveis para reabilitação dispara para 750 milhões
23/10/2019 14:02

Nos primeiros sete meses deste ano foram realizados 35 negócios de aquisição de edifícios para reabilitação urbana ou de terrenos para promoção imobiliária em Lisboa e no Porto num investimento superior a 750 milhões de euros e que traduz um crescimento de 80% face a igual período em 2018, indica um estudo da consultora Cushman & Wakefield divulgado esta quarta-feira.

A consultora assinala que o setor residencial continua a ser "o principal dinamizador do mercado, contribuindo para a sucessiva subida dos preços de transação de prédios para reabilitar em ambas as cidades".

Em Lisboa, o segmento habitacional foi responsável por 67% da área de construção licenciada e 61% da área em licenciamento. Já no Porto, a habitação representou 67% na área de construção licenciada e 55% na área em licenciamento.

Este dinamismo refletiu-se nos preços dos prédios urbanos em Lisboa, que subiram 27% nos imóveis superiores a 500 metros quadrados (m²) e 18% nas propriedades de dimensão inferior. Na Invicta a escalada nos valores médios de transação foi ainda maior, ascendendo a 41% nos imóveis superiores a 500 m² e a 21% nos de dimensão inferior.

Sem surpresa, é no centro histórico de Lisboa que o valor médio atinge o valor mais elevado: 3.530 euros por metro quadrado. Contudo, foi a zona ribeirinha que protagonizou a maior subida nos preços, com um aumento de 47%.

No Porto, é na zona da Baixa que o valor médio é mais elevado no que concerne aos imóveis com dimensão superior a 500 m², situando-se em 2.756 euros por metro quadrado.

A Cushman & Wakefield assinala que "apesar do claro predomínio da atividade de reabilitação urbana nos centros das cidades" se assiste a "uma maior abrangência geográfica por parte da procura, que começa a olhar para zonas mais periféricas para os seus investimentos".

"A procura de oportunidades de reabilitação urbana e de promoção nova em Lisboa e no Porto nunca foi tão alta e esta tendência deverá manter-se em 2020. Contudo, esta procura é cada vez mais direcionada para localizações menos centrais onde o investimento foi menor nos últimos três anos", refere Ana Gomes, diretora de Promoção e Reabilitação Urbana na Cushman & Wakefield, citada no comunicado.

"Em Lisboa, por exemplo, é particularmente visível o maior interesse de investidores nos eixos ribeirinhos de Santos/Alcântara e Marvila bem como no eixo central Saldanha/Campo Grande, em detrimento dos bairros históricos da Graça, Alfama, Baixa e Chiado. Também as zonas de expansão da cidade têm vindo a ser alvo de forte interesse, com especial destaque para a Alta de Lisboa, que nos próximos anos irá contribuir para um aumento muito considerável da oferta de produto residencial na cidade", detalha.

Atraso no licenciamento trava crescimento

A subida dos custos de construção e a incerteza do tempo necessário para obter licenciamento têm "impactado negativamente o mercado de reabilitação e promoção imobiliária", sublinha a consultora.

Entre janeiro e julho deste ano foram licenciados na cidade de Lisboa 250 projetos com uma área de construção total que ultrapassa os 320.000 m², mais 14% do que no período homólogo de 2018. Relativamente aos projetos em licenciamento, estavam em análise nos primeiros sete meses do ano cerca de 450.000 m², representando uma variação homóloga de -17% face a 2018, o que pode ser explicado pela acumulação de processos de licenciamento na Câmara de Lisboa devido aos elevados tempos de decisão.

No Porto, foram contabilizados cerca de 325.000 m² de projetos em licenciamento e mais de 210.000 m² de projetos licenciados.

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