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Mortes excessivas, a Democracia e o Turismo
04/08/2020 17:42

O Governo, não querendo investir o suficiente, redirecionou muitos recursos necessários a outros tratamentos e doenças para o combate ao Covid. O resultado tem sido uma enorme mortalidade excessiva significando a morte de muitos portugueses que de outra forma teriam sido salvos.

Só em Julho morreram mais do que a média habitual para este mês mais 2.105 pessoas! Destas de Covid-19 apenas 159 pessoas. Nos meses anteriores a realidade não foi muito diferente. A verdadeira mortalidade não está no Covid mas nas outras mortes causadas pela política de redireccionamento de recursos e de restrição de acesso a cuidados de saúde. Mau. Simplesmente muito mau.

Segundo o EuroMomo, entidade europeia que monitoriza a mortalidade na União Europeia, na 29ª semana do ano (entre 14 e 21 de Julho) Portugal foi o país do grupo de países seguidos pela organização, com mais mortes excessivas e o único classificado na pior categoria a de "Excesso Extremamente Alto". Os dados são públicos e estão no site da instituição. Muito preocupante.

Mas, argumentar-se-ia, no que toca ao Covid-19 acabou por ser positivo porque manteve a infeção a níveis baixos salvando a economia. Infelizmente não foi assim. Pelos dados recentes verificamos que Portugal foi dos países em que a economia mais se contraiu no segundo trimestre de 2020 (ficando em 24º em 27 países da União Europeia). Também o desastre infecioso não passou desapercebido aos outros países europeus que não permitem aos seus nacionais fazerem férias em Portugal sem depois se sujeitarem à quarentena necessária a quem visita países de alto risco.

Tudo isto tem sido um choque para os que acreditavam nas fábulas difundidas pelo Governo que nos iludiam com um milagre português, porque habilmente se comparavam aos piores e não aos melhores.

Vemos nos EUA, no Reino Unido e noutros países uma imprensa livre, escrutinando os seus governos, criticando as políticas oficiais, propondo alternativas. Em Portugal a tradição de uma colagem excessiva da comunicação social ao Governo, em nome de uma unidade nacional, acaba por ser contraproducente.

Principalmente porque no estrangeiro se conhece a verdade e se age de acordo com os números que a maioria dos portugueses desconhece.

O turismo acabou por ser vítima desta ilusão coletiva. As más políticas, o desconfinamento precoce, os transportes públicos apinhados, as periferias insalobras, colocam Portugal entre os países em que a infeção mais prolifera na Europa.

Sem contraditório interno o Governo prosseguiu a sua política incorreta. Naturalmente as consequências vieram de fora, pela voz dos Governos estrangeiros restringindo a vinda dos seus cidadãos e dando uma forte machadada no nosso Turismo e na nossa economia.

O Governo anuncia agora a diminuição dos testes. Mais um erro. Em vez de atuar onde é necessário para diminuir a propagação da doença nos bairros periféricos, reduz os testes. Preparemo-nos para o pior.

No Ministério da Saúde muitos dos responsáveis políticos e administrativos têm sido incansáveis e bem-intencionados mas limitados por orientações essencialmente erradas o seu esforço torna-se muito pouco eficaz.

Em resumo a desastrosa atuação do Governo, longe da excelência propagada, reduziu a oferta de saúde o que explica a morte desnecessária de milhares de portugueses, provocou a maior contração do PIB dos últimos 50 anos, afastou os turistas de Portugal, reorientando-os para outras paragens – Turquia, Grécia, norte de África, etc.. É possível fazer pior? Tudo isto com o apoio complacente do Presidente da República e da maioria dos líderes oposicionistas. De facto um milagre. Não é possível fazer pior.

 

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