REN Gás eleita para construir e gerir redes de hidrogénio em Portugal 25/07/2025 14:25:00

A REN - Redes Energéticas Nacionais confirmou esta quinta-feira, no relatório de apresentação dos resultados do primeiro semestre de 2025 (período que em que os lucros aumentaram 35,2% para 65,7 milhões de euros), que a sua subsidiária REN Gás foi "nomeada como a entidade portuguesa responsável pelo planeamento, desenvolvimento e gestão da futura infraestrutura nacional de hidrogénio" que vier a ser construída em Portugal, pode ler-se no documento enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A escolha tinha já sido avançada ao Negócios por Diogo da Silveira, "chairman" da Floene, que opera a rede de distribuição de gás natural, enquanto a REN é a operadora da rede de transporte (em alta pressão). Segundo o responsável, no mês de junho a ERSE levou a cabo uma consulta sobre quem estaria interessado em gerir as novas redes dedicadas ao hidrogénio, como manda a diretiva europeia, tendo o Governo decidido entregar essa responsabilidade à REN, ainda que de forma transitória ou temporária. "Houve várias entidades que se propuseram e a Floene foi uma delas, mas recentemente ficámos a saber que o Governo optou pela REN. Como sabemos, a maioria dos clientes em Portugal estão ligados à rede de distribuição. Por isso ficámos perplexos com a decisão de excluir a Floene, enquanto operador das redes de distribuição, neste processo. Devia existir a preocupação de trabalharmos em conjunto. É fundamental que a REN e a Floene estejam envolvidas. Acredito e espero que a REN também decida falar connosco para ser ouvida a perspetiva da distribuição no biometano e hidrogénio verde", disse Diogo da Silveira em entrevista ao Negócios.Entre janeiro e junho, o consumo de gás natural aumentou 10,1% em Portugal, com o segmento de produção de eletricidade a mais do que duplicar face ao mesmo período do ano anterior, refere a REN. Já o segmento convencional registou uma contração de 7,6%, atingindo o valor mais baixo desde 2009. A REN admite no mesmo comunicado que "após o apagão de 28 de abril na Península Ibérica, e em resposta a preocupações com a segurança do abastecimento de energia elétrica, se registou um aumento da utilização das centrais de ciclo combinado a gás natural, resultando num aumento substancial das emissões de gases com efeitos de estufa". O documento refere ainda que este primeiro semestre ficou também marcado pela luz verde dada pela ERSE à REN para testar em contexto real, na rede de transporte, uma mistura de gás natural e hidrogénio, que chegará aos fogões e esquentadores dos consumidores no distrito de Braga. No entanto, o regulador garante que a empresa "acompanhará e informará os clientes que irão ser abastecidos pela mistura de hidrogénio e gás natural durante os períodos de injeção de hidrogénio". "Uma vez que os níveis previstos de concentração de hidrogénio estão de acordo com os limites de operação dos equipamentos para a queima de gás natural, não se preveem constrangimentos para os clientes", diz a ERSE.O regulador do setor energético aprovou assim o projeto-piloto da REN Gasodutos denominado "Injeção de hidrogénio para testes na Rede Nacional de Transporte de Gás", no âmbito do Regulamento da Qualidade de Serviço dos setores elétrico e do gás. Na prática, trata-se de um projeto de investigação e de demonstração, com duração de um ano e meio, enquadrado no Programa H2REN, um dos projetos apresentado no Capital Markets Day da empresa em 2024."Preparar a REN para a operação com hidrogénio e poder dar resposta às necessidades do mercado é o objetivo deste programa. Iniciado em 2020, o H2REN conta com mais de 10 entidades parceiras, nacionais e internacionais, que avaliam a adaptabilidade das infraestruturas quanto ao transporte, distribuição e armazenamento subterrâneo. Já estão a decorrer atividades de preparação das infraestruturas para a implementação de gases renováveis. Desafios como o controlo da qualidade do gás distribuído aos clientes levaram à primeira fase de instalação de contadores inteligentes", explicou, por seu lado, a REN. Durante os próximos 18 meses a REN vai então testar a injeção de hidrogénio num troço da Rede Nacional de Transporte de Gás (RNTG), que opera, para "posterior veiculação na rede de distribuição da REN Portgás e, assim, abastecer um conjunto de clientes no distrito de Braga com uma mistura de hidrogénio e gás natural", refere a empresa no mesmo comunicado.Segundo ERSE, os objetivos deste projeto-piloto passam por avaliar e testar o desempenho das infraestruturas já preparadas para operar com misturas de até 10% de hidrogénio; os procedimentos de articulação entre operadores de rede de transporte e de distribuição no âmbito da injeção de gases renováveis; o novo sistema desenvolvido para controlo da qualidade do gás na rede de distribuição."A experiência e as recomendações que venham a resultar do projeto-piloto terão reflexo na implementação e consolidação dos processos de ligação para injeção de hidrogénio nas redes, no regime comercial, e permitirão avaliar em ambiente controlado e em diferentes regimes de operação o desempenho de uma Estação de Mistura e Injeção (EMI), equipamento associado às instalações de produção de gases renováveis, como o hidrogénio", explica o regulador, garantindo que a REN Gasodutos divulgará informação sobre a implementação e os resultados do projeto.