Leonor Beleza: "Temos de voltar às coisas principais que não funcionam" na saúde. Tarefeiros são um 21/09/2026 17:34:00

Foi ministra da Saúde nos governos de Cavaco Silva, conselheira de Estado nos mandatos de Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa e lidera hoje a Fundação Champalimaud, depois de no início do século ter recebido um convite pessoal de António Champalimaud. É vice-presidente do PSD e mantém um olhar atento sobre a atualidade, em particular sobre o setor da Saúde.Numa longa conversa com o Negócios, no âmbito do lançamento da 7.ª edição da iniciativa Negócios Sustentabilidade 20|30, Leonor Beleza afirma que "o recurso a tarefeiros tem muito a ver com o que muitas vezes acontece em Portugal: as coisas não funcionam por um caminho e arranja-se um caminho ao lado, em vez de olhar para o caminho principal"."Na saúde cultivamos muitas urgências porque sabemos que o sistema normal tem muitas dificuldades. E depois as outras coisas, os tarefeiros e mais não sei quantas soluções, porque as questões principais são resolvidas com dificuldade", explica a antiga governante, frisando que "temos de voltar às coisas principais que não funcionam" no setor da saúde em Portugal.No entender de Beleza, os tarefeiros são uma espécie de atalhos. "E os atalhos, que podem ser necessários em circunstâncias especiais, não são a boa solução para que as coisas funcionem". A antiga ministra, que afirma respeitar o trabalho da atual titular, deixa ainda um lamento: "não consigo perceber que um hospital possa funcionar muito bem se não tiver um corpo de gente dedicada."As palavras de Leonor Beleza surgem numa altura em que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, deixa avisos ao setor. Num , a atual titular da pasta avisa que o papel do Executivo "não é governar para as corporações, alimentar agendas, ou defender ambições recalcadas", reconhecendo que as mudanças na lei dos tarefeiros vão gerar "contestação".A mensagem da ministra surge num contexto em que se reacendeu a contestação dos médicos prestadores de serviço, que ameaçam com uma paralisação "massiva" caso o Governo reduza o valor/hora a pagar a estes profissionais.Nesta entrevista ao Negócios, Leonor Beleza avalia aqueles que têm sido os problemas de comunicação do Governo num contexto parlamentar desafiante, admitindo que a reforma laboral foi "uma oportunidade perdida".Sobre Passos Coelho, a presidente da Fundação Champalimaud e vice-presidente de Montenegro no PSD, explica que "era o que faltava era que alguém do PSD, nomeadamente com uma responsabilidade e um ativo no partido como tem Pedro Passos Coelho, não pudesse dizer o que acha que devia ser mudado".Esta é uma entrevista que marca a estreia da 7.ª edição da iniciativa Negócios Sustentabilidade Negócios 20|30, que poderá ler na íntegra na edição de quarta-feira do Jornal de Negócios.