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A bolha e as sete magníficas
01/03/2024 17:30

As sete magníficas (Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta Platforms, Nvidia e Tesla) representam um múltiplo de P/E de 22 vezes. Se fossem retiradas do índice norte-americano, "temos um múltiplo de 17 vezes, que é o que historicamente tem acontecido", disse Pedro Santos, Private Banking, sócio e chief investment officer da True Magma, na mesa-redonda "Tendências de Investimento: Preparar a carteira de investimentos para 2024", que fez parte da conferência sobre O Futuro dos Mercados Financeiros.

"O S&P 500 está com 9 a 10% de valorização e estas sete representam 90%, o resto está na linha de água. Se olharmos para outras 493 ações, há um conjunto de empresas que são outras magníficas adormecidas", analisa João Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa.

Este movimento em alta é explicado pelos "resultados fabulosos apresentados" por estas sete ações, mas Pedro Santos não acredita que se esteja "numa bolha", embora acrescente que numa empresa como a Nvidia, que vale 1,8 biliões de dólares, se demore "70 anos a recuperar o valor da empresa em resultados, por isso podemos especular se há uma bolha". Pedro Santos explica ainda que "as sete magníficas valem o que valem porque, embora não se saiba o que têm lá dentro, os investidores têm expectativas de que a IA está para ficar e vai tirar negócio a vários setores, concentrando-se nestas empresas tecnológicas".

"Não estamos numa bolha, poderá haver um risco se as expectativas também forem demasiado otimistas e as empresas começarem a mostrar alguma dificuldade e há um momento em que vamos chegar a um plateau. Nessa altura é que é preciso ver se o mercado vai continuar a crescer", concordou Rina Guerra, Equity Portfólio manager do Banco Carregosa. Explicou ainda que recentemente havia uma grande expectativa em relação aos resultados da Nvidia, que poderiam condicionar a performance do mercado. Mas em 2023 a Nvidia lucrou 29,76 mil milhões de dólares, mais 581% do que em 2022 e teve um volume de negócios de 60,9 mil milhões de dólares, mais 126%.

Não há cenário de bolha

"Estes números astronómicos não defraudaram as expetativas dos analistas no sentido em que conseguiu superar essa tendência. Vemos uma empresa que se valorizou de forma astronómica em 2023 e que continua esse caminho, mas vemos essa empresa a entregar no mundo real em termos de receitas, de resultados, e de encomendas", disse Rina Guerra.

Acrescentou que "podemos dizer que não estamos no cenário de bolha, e temos esta força enorme que é a inteligência artificial que pode realmente ser um game changer em termos de produtividade das empresas".

As sete magníficas são herdeiras da nova economia em que o modelo de negócio se baseia no "the winner takes it all", recordou Rui Alpalhão, professor associado convidado do ISCTE Business School. Os mercados antigamente conviviam bem com várias empresas de sucesso concorrentes entre si, cada uma com as quotas de mercado e especializações. O modelo de negócio nas áreas tecnológicas em geral, e "a inteligência artificial não deve ser diferente, é um modelo ‘the winner takes it all’".

Deu o exemplo da Farfetch, cujo presidente, José Neves, sempre disse que "a correr para ser o ‘the winner takes it all’, infelizmente, correu mal, agora ficou com os looser". Mas Rui Alpalhão não deixou de considerar que José Neves teve "um percurso fantástico, de muito mérito e não estou aqui a apoucar porque é um modelo de negócio muito duro".

Pedro Santos aconselhou a que se tenha uma carteira de investimento tradicional balanceada entre 50% em ações e 50% em obrigações, mas com esta nota de que nas obrigações se "devem escolher bons riscos porque a economia está relativamente frágil, se a pessoa fizer a escolha errada de crédito da empresa ou do país, pode ter uma má notícia e, nas ações, refletir o S&P500 porque o mercado americano cresce mais e comprar um ETF que reflita o índice indiano, porque a Índia é a China de há 15 anos, vai ter de construir uma classe média, e é uma das economias que mais cresce no mundo".

O impacto da inteligência artificial nos mercados financeiros

"Os mercados como o mundo estão cada vez mais complexos, o que provoca grandes desafios aos investidores para tentarem adivinhar o comportamento futuro dos mercados", afirmou Marcos Soares Ribeiro, presidente da CFA Society Portugal, na mesa-redonda "Tendências de Investimento: Preparar a carteira de investimentos para 2024", integrada na conferência "O Futuro dos Mercados Financeiros", que recusou, pela sua representação institucional, a fazer comentários sobre a evolução dos mercados financeiros.

"A estratégia de investimento deve responder às necessidades do próprio investidor e este deve fazer essa autorreflexão, o que é que pretende, qual é a sua disponibilidade para o risco e a disponibilidade do seu investimento no futuro", afirmou Marcos Soares Ribeiro.

"A inteligência artificial vai ter impacto na formação das pessoas, com alterações e depurações do que é a essência da educação, e em que o fator distintivo será o pensamento crítico. Pode acelerar o ritmo de aprendizagem e de desenvolvimento, porque se passa menos tempo noutro tipo de tarefas, ficando com mais tempo para o essencial", considerou Marcos Soares Ribeiro.

No mercado e setor de investimentos, a IA vai impactar ao nível do aconselhamento em investimentos, e é um "campo de desenvolvimento enorme e de customização e de adaptação ao que cada pessoa quer para o seu perfil de risco e de necessidades, com a criação de valor para a indústria". Depois, a infraestrutura do mercado, que é essencial para garantir a integridade do mercado, de regulação, do controlo com os reguladores do mercado, já hoje "amplamente envolvidos na IA e nos benefícios que pode trazer para o seguimento dos mercados", concluiu Marcos Soares Ribeiro.

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